domingo, 28 de novembro de 2010

O ano acho que era 1999.

Eu era bem pequena. Porém nunca fui daquelas crianças alienadas. Sempre soube como o mundo é,e como as pessoas podem ser cruéis sem nenhum motivo.
Andávamos eu e meu pai pela pra da São Lourenço do Sul. O assunto ? Preconceito racial. Discutíamos sobre como tudo isso era sem nexo algum. Enquanto andávamos,eu pensava comigo mesma como é bom ter alguém assim,como meu pai,com quem possamos nos abrir e conversar sobre tudo.
Entre um devaneio e outro que eu tinha,meu pai me disse : ''Não há motivo para o preconceito,somos todos iguais". Eu,rapidamente,retruquei : "É,fora pela cor da pele,somos iguais mesmo." E ele me disse : "Não. Somos todos iguais." Falou de uma forma tão taxativa que resolvi me recolher à minha ignorância e ficar calada. Até que,ele puxou o meu braço e disse : "Tá vendo essa veia ? O que é que circula dentro dela ?". Eu respondi : "Sangue,ora.". E ele,num ar sábio que só meu pai tem : "Por fora,o teu braço é diferente do meu,mas por dentro dele,circula sangue,assim como no meu.Ou seja,por todos nós circula o mesmo sangue,então as diferenças externas não tem significado algum,quando o que há por dentro é que conta". Isso foi meio metafórico,e um tanto confuso para uma criança tão pequena assim,mas eu entendi perfeitamente o que meu pai queria dizer. O externo de nada vale,pois no fim,todos nós sangramos,amamos,sofremos,vivemos e sentimos. O que realmente importa,é que há dentro de cada um de nós,e essa comparação ao sangue me fez perceber como é importante valorizarmos a nossa essência,aquilo que nos torna humanos.
Cresci livre de preconceitos,feliz por saber que somos todos irmãos,e que a nossa alma é mais importante do que a cor de nossa pele.

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