quarta-feira, 27 de julho de 2011

PÁRA TUDO !

To passada ! Cara,eu não acredito que até hoje eu ainda recebo críticas pelo meu post contra o Bonde da Stronda (não mandei parar,quero que continuem,ok?). Pois bem,vamos analisar? Recebi vááárias crianças me xingando,mas teve uma que olha,vou te contar,até me surpreendi. Então vou aqui postar o comentário dela e fazer algumas observações nas frases em negrito,tá bom? Lá vai :
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, é muita falta de pica mesmo pqpppppppppp.. mano tu devia entender que as cocotas pegam muito mais caras que tu, sao mais gatas e mais gostosas, que os playsson sao fodas e no fundo tu deve morrer de vontade de pegar um só nenhum deles nunca te deu moral. falar do BDS putz muita falta de rola desse teu rabo caralhoo.. os caras sao foda e ganham dinheiro com isso, porque tem fã e sao bons diferente de ti que só sabe perder teu tempo falando dos outros, vai dá! e pirralhada futil? kk, é pra rir ne? só porque a grande maioria das pessoas prefere ser feliz e dar moral a coisas que no fundo todo mundo sabe que importa sim, principalmente na adolescencia, ao inves de perder a alegria e a curtição com politica e problemas ja que vamos ter anos da vida pra reclamar e brigar por isso.. tu vem chamr de futil? me poupe! SE FODEEE! teu sonho é ser cocota mas é frigida e baranga, e nao pega playsson porque nao consegue! se manquee

Bom,depois de algumas convulsões básicas de riso,eu consegui finalmente parar e entender o que esse cidadão me disse.Vamos por partes,como diria Jack Estripador.
Primeira frase em negrito : mano tu devia entender que as cocotas pegam muito mais caras que tu, sao mais gatas e mais gostosas, que os playsson sao fodas e no fundo tu deve morrer de vontade de pegar um só nenhum deles nunca te deu moral.
Ã...Nenem,primeiro de tudo : tu nunca me viu na vida,então antes de falar qualquer coisa à respeito da minha aparência,considere esse fato. E nossa,belo argumento esse "os playsson sao fodas",e não amor,eu não tenho e nem nunca tive a menor vontade de pegar nenhum deles,e sim,vários já chegaram em mim,mas dar moral pra algum deles seria algo que vai totalmente contra a minha moral.

Segunda frase em negrito :putz muita falta de rola desse teu rabo caralhoo.
Olha amor,se tu sente falta disso,posso te citar inúmeras maneiras de satisfazer essa tua vontade. Mas,por favor,não estenda essas tuas "fantasias" à outras pessoas,ok?

Terceira frase em negrito : a grande maioria das pessoas prefere ser feliz e dar moral a coisas que no fundo todo mundo sabe que importa sim, principalmente na adolescencia, ao inves de perder a alegria e a curtição com politica e problemas ja que vamos ter anos da vida pra reclamar e brigar por isso.. 
Olha,se tu considera ser um babaca uma coisa importante na adolescência,vá em frente. E sim,eu curto minha vida muito bem,obrigada. Bebo,saio,danço,dou risada,tenho amigos,tenho namorado,e não preciso ser uma vagabunda que fica de quatro pro primeiro pirralho pra ser feliz,ok? E eu prefiro mil vezes ser uma adolescente com conteúdo do que uma cabeça oca.

Quarta e última frase em negrito : teu sonho é ser cocota mas é frigida e baranga, e nao pega playsson porque nao consegue! 
Meu sonho é ter cabeça de vento,usar micro roupas e ser toda arregaçada? Porra amigo,acho melhor tu rever os teus conceitos sobre sonhos,pelo menos em relação à mim. Nem comento a parte que tu me chama de baranga,porque nem me conhecer tu me conhece (isso não é um pedido,entenda) e não pego playsson porque consigo coisa bem melhor.


Bom,agora sou feliz. Beijo e até a próxima "Análise de Comentários",ahahahaha 

domingo, 3 de julho de 2011

Nas entranhas da Capital.

-Segura no meu braço ! – e foram essas as palavras que em tom de sussuro meu pai pronunciou enquanto íamos em direção à Estação Rodoviária de Porto Alegre.
         Aquele céu acinzentado de tarde fria porto alegrense de nada ajudava para tornar aquele cenário que me rodeava,no mínimo,menos deprimente.Os prédios pareciam ter parado no tempo,como se estivéssemos presos aos anos 70.O mofo e o limo brotavam em todos os cantos,desde a calçada às lajotas que cobriam as paredes dos prédios.Os postes de luz com fios caídos,e um cheiro terrível exalava das sarjetas.Era uma mistura de dióxido de carbono e carne putrefata aquele odor.Pus-me a observar as pessoas que ali se encontravam,naquela rua de sonhos quebrados.Os olhares dispersos de catadores de lixo me amedrontavam,no modo como  olhavam cada centímetro do meu corpo,como se me analisassem,me colocassem um preço de mercado,um valor monetário.Continuei à observar.Eles falavam rápido,de modo estranho,e o cheiro de bebida barata era quase insuportável.Mais adiante vi uma senhora,mais de trinta anos não devia ter,provavelmente de origem indígena.Duas crianças,uma de colo e outra de cerca de 4 anos.Roupas sujas,cabeças baixas,nenhuma palavra pronunciada em todo o tempo que observei aquela família.Seguindo meu caminho,avistei um bordel com portas abertas.Meretrizes fumando nas escadarias,enquanto duas outras se encontravam do outro lado da rua,encostadas em uma parede,com roupas vulgares e baratas,oferecendo os seus serviços ao primeiro vivente que por ali passou.
Você já viu uma pessoa sem alma?Cuja a qual os olhos não demonstram absolutamente nada além de íris e pupila opacas?Eu vi.Nessa rua de desesperança.Ali vi como o ser humano pode ser tratado menos que um produto de consumo.Vi como a desilusão domina tanto a alma que te destrói,lentamente.Vi como a vida no submundo urbano é trágica e sem amor.Aquele cenário decadente me atingiu de tal maneira que não pude deixar de pôr uma expressão séria e desolada no rosto.Crianças miseráveis,homens dependendo do lixo para sobreviverem e dormindo nas calçadas,mulheres vendendo o próprio corpo em troca de migalhas.Olhe,veja bem aonde que a sociedade chegou,em que ponto de desrespeito ao ser humano estamos.
Baixei a cabeça e continuei andando,firmemente abraçada em meu pai.Chegando quase na esquina de fronte à estação,à minha esquerda encontrava-se o Hotel Conceição II,número mil seiscentos e cinqüenta e alguma coisa,com a fachada desbotada e lajotas azuis recobrindo todo o prédio.Ali parei e olhei para trás,vi aquela rua como um todo,e notei que uma atmosfera densa de ódio e tristeza tomava conta daquele local.Conforme fui indo para atravessar a avenida e entrar na estação,os rostos,as expressões,as pessoas,mudavam.Sorrisos,alegria,satisfação.Era como se eu recém tivesse saído de um universo paralelo.Havia mudado tudo.Aquela rua ficou para trás,e,provavelmente,por lá eu não passe tão cedo.
Depois disso,apenas uma dúvida me resta : a sociedade não deu uma chance aos moradores daquela rua,ou eles não se permitiram tal chance?