sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Me levou daqui.

E como eu explico o que eu sinto por ti? E como eu explico isso? Não haverão palavras capazes de explicar como minha alma conecta num simples play. Obrigada pela milhonésima vez. Obrigada por existir,por ser quem tu és. Por ter surgido na minha vida,mesmo sem nunca ter tido sequer contato contigo. Sinto como se você fosse meu pai,meu irmão,meu mentor,meu conselheiro,meu melhor amigo. Obrigada Alexandre Magno,sem tua música...hoje eu não estaria aqui.

E eu perdi minha fé na humanidade.

Um dia,num passado não tão distante,faziam-se músicas. Um dia,a palavra mais absurda que se ouvia nos funk era "popozuda". Um dia,a gente podia dançar funk em festinha infantil e se divertir. Mas né gurizada,tudo que é bom,uma hora acaba,e,nesse caso,deixou muita saudade. E eu,aqui,como porta-voz de mim mesma,digo : EU TENHO NOJO DE FUNK. Nojo,mas nojo num estágio de querer chorar de ódio quando escuto,e de vomitar até meus rins fora. Eu me sinto degradada,humilhada,ridicularizada quando escuto uma música dizendo "ela dá pra nóis que nóis é patrão". Meu,isso me faz ter vergonha de ser mulher e ter que aturar esse tipo de baixaria,e o pior,tudo isso com um monte de mina burra batendo palma e achando lindo. É o trabalho de começar a tocar esse tipinho miserável de música numa festa que as vagabunda começam a rebolar e empinar o cu como se fosse um feito histórico. E os caras então? Puta que o pariu,que nojo. Me pego pensando a troco de que eu ainda to nesse país,nesse planeta,nessa galáxia !
Vocês,minas que são funkeiras assumidas,me respondam : qual é a sensação de ser completamente idiota? Na moral cara,o que vocês veem em assinarem atestado de óbito da própria sanidade ? Estão chamando vocês de vagabundas e vocês tão aplaudindo isso? Isso é sério? Ah tá.
E,caras,na real,ficar dizendo que vocês curtem "pentada violenta nas novinha" só dá um único título para vocês,título de idiota. Vocês acham que vocês pegam mulher? OI? Vocês comem um bando de vadia (o que eu,particularmente,acho burrice,porque além da questão da paternidade precoce,vocês podem acabar contraindo doenças venéreas),vocês nunca estiveram e nem nunca vão estar a altura de uma mulher. Futuro? Nenhum de vocês têm. E carro não é status pra pessoas com cérebro,foi mal.
A verdade velho,é que eu fico puta da cara em ver alguém cantando funk perto de mim,me faz sentir mal,ridicularizada,como se a minha imagem,imagem de mulher,estivesse sendo denegrida por essa gentalha filha da puta que acha lindo ficar mostrando o cu pra todo mundo,venerando o cu,amando o cu,sendo apenas um cu. E o pior de tudo isso,é o fato de eu ter apenas 15 anos de idade e ser constantemente exposta a esse tipo de música. Apesar de eu ter plena noção de que eu não me encaixo na categoria "vagabunda",eu continuo me sentindo magoada. Porque cara,parando pra pensar,é essa a imagem que todos têm das adolescentes hoje em dia,que são tudo um bando de puta arregaçada. Elas são uma espécie de sei lá,padrão. E isso é algo realmente deprimente. Se sentir representada por essa gente,por essa raça cretina que fode com o cenário musical e com a imagem de tantos outros adolescentes que são completamente diferentes,é um inferno. Então meu,se vocês querem ouvir funk,beleza,MAS NÃO TÊM A MENOR NECESSIDADE DE COLOCAR A TODO PAU NO CARRO DE VOCÊS,PORQUE AINDA EXISTEM PESSOAS COM CÉREBRO,E QUE UTILIZAM ELE,VALEU?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O grito da morte.

É de tal natureza turbulenta,você pode imaginar,o coração impetuoso de uma mulher daquele nível de amargura. As vestes adequadas à época de nada lhe faziam jus ao corpo delineado que possuía. De fato,esperava por algo maior do que seus mais ambiciosos sonhos pudessem imaginar. A noite fria de novembro de nada valia,constatando que a Lua brilhava de maneira florescente,banhando de maneira lúdica as águas enegrecidas pelo manto da noite do rio Tâmisa. De certo nenhuma mulher do final do século XIX deveria andar sozinha pelo pier de Londres àquela hora tão tardia da madrugada. Porém,de fato,era uma bela noite.
Sentou-se,absorta em seu pranto calado,à espera de algo que lhe pudesse proporcionar uma alívio no peito. Com certeza,atirar-se nos braços úmidos do rio de nada adiantaria,afinal,provavelmente voltaria à terra em segurança,graças ao seu medo mortal de profundidades (derivado de um pequeno incidente na infância,quando passava suas férias fazenda da família,em York).
Com toda a certeza,jamais vira tamanha beleza num luar. Aquele brilho poderia encantar até mesmo o mais cético e desiludido dos mortais,e ainda fascinava de modo que se podia sentir seu brilho acariciar a alma. Mesmo assim,a sobriedade de Anne era algo terrivelmente profundo. Ascendeu um charuto. Hábito terrível que herdara do pai. Pobre Edgar,encontrado morto na decadência mais total e tenebrosa da condição humana,atirado numa sarjeta qualquer de um beco da capital. Levou o charuto aos lábios delicadamente,enquanto a fumaça fazia-se mais densa e de forma mais profunda e inebriante a cada baforada solta no ar. Sentada naquele vestido verde-musgo de veludo quente,retirou o pequeno chapéu que pousava sobre os cabelos e os soltou,afinal ali não havia ninguém que lhe observa-se. Ou assim pensava,ao menos.
De súbito um sopro gélido tomou conta de seu pescoço,na parte da nuca,como um suspiro mortífero. Estremeceu totalmente. Olhou rapidamente ao seu redor,e nada ali apareceu. Baixou a cabeça e suspeitou que fosse apenas o vento lhe assustando naquela solitária noite. Notou que uma densa neblina começava a tomar conta do chão do pier,fazendo as tábuas de madeira desaparecerem pouco a pouco. Uma silhueta surgia de relance não mais que dois metros à sua frente. Figura um tanto quanto disfuncional que pouco a pouco foi tomando forma. Porém a única coisa que se fazia claro em tal assombração seriam dois olhos de pupila dilatada e avermelhada,algo rubro e denso,com o resto do contorno amarelado,parecendo um olho espectral felino. De tão pouco foi assustando-se até os pêlos de seus braços se arrepiassem de maneira pareciam perfurar a roupa. Os capilares contraíram-se,deixando-a tomada por um arrepio total. A figura,de todo,apareceu,centímetros à sua frente. Respirou fundo. Pensou estar na presença de um demônio ou algo do gênero.
- Boa noite. - em tom lúdico,a voz que provinha do espectro reverenciou-a - A quem devo a honra de encontrar em tão magnífica noite ? - já com forma tomada,o espectro tornara-se um homem alto,de feições fortes e marcantes. Um corpo bem definido,apesar da idade um pouco avançada. Usava um paletó preto,bem assim como as calças e os mocassins. Uma cartola de veludo preto possuía em suas mãos,que fora recém tirada do topo da cabeça em sua reverência à jovem moça sentada nos barris de cedro do pier.
- E quem seria o cavalheiro que me corteja?
- Me chame apenas de Jack. - pronunciava as palavras de maneira tão suave que mais pareciam melodias ecoando pela noite - E posso saber porque tão bela dama se encontra perdida em lágrimas sozinha esta noite?
- Perdi-me em meados de meus sombrios devaneios. A noite já está avançada,deveria voltar para casa.
- Com toda a certeza,ninguém com tal aparência deveria andar sozinha esta hora. Permita-me acompanhá-la. - ao pronunciar-se,Anne hesitou por um segundo ou dois,porém concordou,afinal,nunca se sabe o que se pode encontrar na próxima esquina - Posso segurar-lhe o braço?
- Pode.
Alguns metros se seguiram até um depósito,de pintura amarela bastante desgastada,ser avistado. De um modo malicioso,Jack tomou-a pela cintura e pôs-se de tal maneira atrás de seu pescoço que podia-se sentir sua respiração,já ofegante,ecoar-lhe pelos ouvidos. Suspirou.
- Poderíamos talvez entrar ali,por pura...curiosidade. - sentia-se a sedução na voz do cavalheiro noturno ao pronunciar tal palavra. Ela entrou num estado de transe sobrehumano,saindo totalmente de si. Assentiu com a cabeça.
Adentrando no depósito,algumas sacas de farinha ali jaziam,provavelmente já esquecidas fazia algum tempo. Deitou-a sobre as macias sacas,e ali começou a possuí-la. Tirou-lhe o vestido,e ela,num estado de êxtase total,de nada se dava por conta. O espartilho fora desatado,nó por nó,até que ali,naquele depósito de odor fúngico,ela se encontrava com os seios à mostra,e com o ventre quase que totalmente exposto. Os beijos iam aumentando de intensidade,até que,em um único movimento,durante a aparente excitação,Jack levou os lábios até o pescoço de Anne. Seus dentes caninos se tornaram mais protuberantes,e num pequeno feixe de luz que entrava por uma fresta no teto do local,o luar fazia-os reluzir de maneira esplendorosa. Cravou-os na pele macia e corada do pescoço de Anne. Seu grito era uma mistura de gemido com pavor doloroso. Caiu morta sobre os braços dele minutos depois. Jack sumira,novamente,tornando-se um espectro macabro novamente. E aquele pedido de socorro de nada adiantou. Fora apenas mais um grito levado pela noite de Londres. O grito da morte.