sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Irreverência.

Neste verão a Rede Globo de Televisão resolveu fazer algo que realmente seja entretenimento de qualidade no âmbito de comédia. Bom, na verdade, no âmbito de comédia, drama, beleza, safadeza e inteligência. A minissérie "Dercy de verdade" foi ao ar essa semana, e devo dizer que foi algo realmente além das minhas expectativas (as quais, por acaso, já eram bastante positivas). 

A história e a imortalidade da chamada "puta de Madalena" é algo realmente fascinante. Dolores Gonçalves mostrou ao público mais do que uma simples mulher fora dos padrões. Mostrou força, garra, humildade e princípios. Foi única e completa. Sua vida era refletida nos palcos, e como ninguém mais soube fazer antes ou depois, demonstrou como uma mulher em pleno início de século XX conseguiu seu lugar ao sol apenas sendo ela mesma.
Casou virgem,fugiu com a companhia de teatro e só foi descobrir o que era a tal consumação matrimonial depois do marido morto e com outro homem, o qual era um grande amigo e pai de sua filha. Fiel aos próprios princípios, Dercy conquistou território nas rádios, nos palcos e na televisão. Enfrentando dramas, traições, frustrações e, inclusive, a ditadura militar na própria pele.
É meus caros, é o preço que se paga por ser tão diferente da massa. A crítica. Porém jamais abalou-se, jamais deixou-se levar por aquilo que simplesmente não lhe fazia falta, que, no caso, eram comentários maldosos de pessoas que pouco ou nada sabiam de sua vida. Dercy foi e ainda é um exemplo de personalidade. Única, sua singularidade tornou-a e consagrou-a o maior nome da televisão e do teatro brasileiro. Amou a vida acima de tudo, mostrou-se destemida quando o inevitável sofrimento resolvia dar as caras, e sempre tudo em tom de deboche, de risada. Viveu a vida da forma mais bela possível, com irreverência e bom humor. Um grande salve a Dercy Gonçalves, um talento nato que tantas gerações tiveram a oportunidade de conhecer.

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