sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Neo-fascismo em plena Praça da Apoteose.

Dos desfiles patrióticos de Mussolini para o carnaval do Rio de Janeiro, teoricamente, haveria muita diferença. Afinal ninguém nunca viu o tio Benedito fantasiado de Globeleza. Porém, de um para o outro, a única diferença são as plumas e as celebridades de peitos de fora.
De princípio devemos relevar alguns fatos. Primeiro de tudo : o Carnaval ( o original ), era a legítima folia sem noção. Quem era patrão virava empregado, quem era Maria virava João e todo mundo ficava tão bem na cachaça que chamava urubu de meu louro. Os blocos originais de carnaval eram assim : quatros dias atirando água, farinha e dançando músicas folclóricas nas ruas do interior.  Charles Darwin, o tio que disse que todos somos primos distantes dos chimpanzés, quando esteve no Brasil, mais especificamente, na Bahia, disse " Estes perigos consistem principalmente em sermos, impiedosamente, fuzilados com bolas de cera cheias de água e molhados com esguichos de lata. Achamos muito difícil manter nossa dignidade enquanto caminhávamos pelas ruas." ( Deixando bem claro seu desprezo pela festinha de rua tupiniquim).
Porém, na década de 1930, quando a ideologia fascista começou a tomar conta, nosso então presidente, Getúlio Vargas resolveu fazer tudo dentro do que se poderia chamar de " folia politicamente correta". Foi então que no ano de 1937, quando a ditadura do tio Getulião dominava o país ( e se parecia muito com a do tio Benedito, lá na Itália), colocaram ordem no puteiro e fizeram o primeiro desfile de escolas de samba integrado. Quesitos como disciplina, figurino, marcação e samba-enredo foram adicionados, e as notas iam de 0 a 10. A partir daí, podemos analisar melhor a semelhança de um desfile neo-fascista com o desfile da Beija-Flor de Nilópolis, por exemplo. A marcação, o tempo, tudo meticulosamente calculado na Marquês de Sapucaí é ( e sempre foi ) baseado nos desfiles patrióticos fascistas. Ou seja, a maior identidade brasileira provém da Itália.
Garanto que tu nem imaginava isso, não é?


( Bibliografia : Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil - Narloch, Leandro. Editora Leya )

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